quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

  Ameaça Trump será debatida em cúpula de Malta sobre crise da UE.

  Os líderes europeus vão discutir nesta sexta-feira (3), em Valeta, as várias crises que abalam a União Europeia, incluindo a nova administração dos Estados Unidos, percebida pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, como uma das ameaças que pesam sobre o bloco.

  "A mudança em Washington coloca a UE numa situação difícil, especialmente quando a nova administração parece questionar os últimos 70 anos da política externa americana", declarou Tusk em uma carta apocalíptica de convite aos líderes.

  Embora a reunião de Malta estivesse planejada para abordar um dos aspecto da crise migratória e o futuro da União Europeia após a partida do Reino Unido, o novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estará no centro dos debates da primeira cúpula europeia desde a sua chegada ao poder.

  Após sua eleição como presidente dos Estados Unidos, a União Europeia tornou-se um dos alvos de críticas de Trump, que celebrou o Brexit e chegou a assegurar que outros países devem seguir os passos do Reino Unido, enquanto que questionou a parceira americana na Otan.

  Suas críticas causaram mal estar entre os europeus, com o presidente francês, François Hollande, pedindo uma resposta "firme".

  "Vamos discutir as relações transatlânticas durante o Conselho Europeu informal de La Valetta na próxima sexta-feira", apontou o primeiro-ministro de Luxemburgo, Xavier Bettel.

  - Tomada de destino - A chegada de Trump representa uma "nova situação geopolítica", nas palavras de Tusk, quando a UE começa a se recuperar da crise financeira de 2008 e está pronta para enfrentar outros desafios no bloco, com a imigração ou o Brexit.

  E, na arena internacional, o presidente do Conselho alerta para uma China "mais firme" no mar e uma política "agressiva" da Rússia com a Ucrânia e os países vizinhos, assim como o papel do "islão radical" nas guerras no Oriente Médio e África.

  "A Europa já não pode confiar a outros a sua própria segurança (...) Temos de nos recuperar e tomar o destino nas nossas mãos", declarou uma fonte diplomática europeia, em declaração semelhante à feita recentemente pela influente chanceler alemã, Angela Merkel.



  A cúpula de Valeta, a este respeito, deve tratar de um assunto sensível para a UE: como cortar a rota migratória do Mediterrâneo central, que se tornou a principal rota para a Europa, onde transitaram mais de 181.000 migrantes em 2016.

  Malta, que detém a presidência rotativa da UE, procura alcançar um acordo semelhante ao alcançado com a Turquia em março passado, que reduziu drasticamente o número de migrantes e refugiados que chegaram da costa grega.

  No entanto, a situação política instável na Líbia complica uma possível solução.

  Merkel sugeriu na terça-feira na Suécia "conversar com o Egito, Tunísia, Marrocos e chegar a uma solução em conjunto".

  Paralelamente, a UE concentra-se na formação dos guardas costeiros líbios e no apoio financeiro, bem como na luta contra as redes de tráfico de seres humanos.

  Os líderes europeus concordaram em Bratislava, em uma reunião sem o Reino Unido, de reforçar a sua política de segurança e defesa antes da cúpula de 25 de março para marcar o 60º aniversário da fundação do projeto europeu.

  "O sinal mais importante que devemos expressar em Roma é que estamos prontos para nos unir", disse Tusk em sua carta de convite aos líderes que se reunirão durante a tarde na capital maltesa, sem a britânica Theresa May.

  Esta reunião poderia ser a última antes da notificação oficial do Brexit, se o processo parlamentar no Reino Unido...Continue aqui.



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