México deveria permitir que imigrantes e drogas passem para os EUA, diz ex-chanceler.
Diante da ordem de Donald Trump para a construção de um murona fronteira dos Estados Unidos com o México, Jorge Castañeda, ex-chanceler mexicano entre 2000 e 2003, sugere que seu país deva fazer vista grossa à passagem de imigrantes e drogas ao país vizinho, para pressioná-lo a negociar uma melhor solução ao problema.
Castañeda sugere que a fronteira sul do México não seja fechada aos imigrantes vindos da América Central e que o governo de Enrique Peña Nieto pare de combater o narcotráfico entre os dois países.
Diferente do que foi feito em 2014, quando o México tentou bloquear a entrada de imigrantes ao sul diante da crise que Obama enfrentava com a entrada de crianças da América Central, a ideia de Castañeda é que o país ignore a passagem desses imigrantes.
“Não temos que fechar a fronteira [sul] para um governo americano que não é amigável. Não temos que encorajá-los [os imigrantes], só nos afastarmos. Passou uma criança salvadorenha? Não vi. Passou uma criança hondurenha? Não vi. Não vi ninguém”, disse Castañeda, durante conferência com investidores latino-americanos nesta quarta-feira (1º) em São Paulo. “No México somos bons nisso. Fazemos isso há um bom tempo”, acrescentou.
Em relação às drogas, o ex-chanceler diz que o país também deve se afastar do problema, ainda mais depois que a Califórnia aprovou, nas últimas eleições de novembro, o uso da maconha recreativa. A ideia de Castañeda é que, com o tempo, essas medidas virem uma “moeda de troca” com o governo de Trump.
O México diria aos EUA que, com o muro, eles não precisam mais de seu vizinho. “Diríamos a Trump: ‘Você resolve. Se o seu muro é tão bom, então você não precisa mais de nós‘”. Em contrapartida, com o tempo, o México ganharia em suas futuras negociações, segundo o ex-chanceler.
“Temos que pressionar de volta os EUA aos poucos em questões específicas até que Trump fique fraco e a oposição a ele nos EUA cresça e fique mais forte. Então finalmente começaremos a negociar essas coisas. Lidaremos com um presidente mais experiente e mais fraco”, defendeu.
“A assimetria entre os dois países é tão enorme que temos que jogar com isso muito cuidadosamente. Não podemos fazer isso com igualdade, porque não somos iguais. Eles são maiores e mais ricos”, afirmou.
Renegociação do Nafta
Na visão de Castañeda, a construção do muro traria um problema ao México, que é o “despertar” do nacionalismo no país. No entanto, para o ex-chanceler, a barreira física é menos importante do que outras duas ações defendidas pelo presidente americano: as deportações de criminosos e a renegociação do Nafta, o acordo de livre comércio entre EUA, México e o Canadá.
Nenhum comentário:
Postar um comentário